Cuidando ou Condenando?
Não faz muito tempo, durante as férias, levamos nossas filhas a uma cidade histórica. Quando visitávamos uma casa antiga, colocamo-nos atrás de uma família de Nova York. Eles não nos disseram que eram de Nova York. Não era preciso. Eu podia dizer. Usavam roupas de Nova York. O adolescente deles tinha metade da cabeça raspada e, na outra metade, o cabelo passava do ombro. A filha vestia roupassobrepostas e um grande colar de contas. A mãe parecia que tinha atacado o guarda-roupa da filha e o cabelo do pai estava abaixo do pescoço.
Eu tinha decifrado todos eles. O garoto provavelmente se drogava. Ospais estavam passando pela crise da meia-idade. Eram ricos e miseráveis, e estavam precisando de aconselhamento. Era ótimo eu poder estar por perto, no caso de desejarem conselho espiritual.
Após alguns minutos, eles se apresentaram. Eu estava certo: eram da cidade de Nova York. Mas foi tudo o que acertei. Quando disse meu nome, ficaram estupefatos. "Mal podemos acreditar!" disseram. "Lemos seus livros. Usamos os livros em nossa classe dominical na igreja. Quis ouvi-lo quando você falou em nossa região, mas era a noiteda família e..."
Escola dominical? Igreja? Noite da família? Gente, cometi um engano. Um grande engano. Eu tinha pregado o rótulo antes de de ver o conteúdo.
Todos nós usamos rótulos. Colamos rótulos em postes e em pastas para saber o que há dentro. Também os colocamos em pessoas, pela mesma razão.
João fala-nos de uma vez em que os discípulos também colocaram rótulos. Jesus e seus seguidores encontraram um homem cego de nascença. Eis a pergunta que os discípulos fizeram a Jesus: "Quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" (Jo 9.2)
Não importa que o homem esteja mendigando e precise de ajuda. Não importa que o homem tenha passado toda a vida numa caverna escura. Não importa que o homem sentado a frente deles não consiga ouvir o que dizem. Vamos falar do pecado dele.
Como é que conseguiam ser tão agressivos? Tão insensíveis? Tão... cegos.
A resposta? (Talvez você não goste.) É mais difícil falar de uma pessoa que ajuda-lá. É mais fácil debater o homossexualidade do que ser amigo de um gay. É mais fácil defender o aborto que sustentar um orfanato. É mais fácil reclamar do sistema de previdência que ajudar os pobres.
É mais fácil rotular que amar.
Continua...
Max Lucado - Ouvindo Deus na tormenta.

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